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RS URGENTE


O CUSTO SOCIAL DO CHOQUE DE GESTÃO

 Não haverá solução para os graves problemas de segurança, saúde e educação no Brasil enquanto a população não se organizar e decidir participar seriamente de um debate sobre a gestão do Estado. Há um consenso generalizado que o Estado não pode gastar mais do que arrecada. No Rio Grande do Sul, nos últimos anos, tem sido vitoriosa a tese de que o Estado deve ser gerido com os padrões da iniciativa privada. O sr. Gerdau e sua rede de consultores e especialistas em gestão transitam com desenvoltura pelos corredores e salas do Palácio Piratini, da Prefeitura de Porto Alegre e de outros espaços públicos. Defendem que o Estado gasta mal, são contra aumento de impostos, mas não largam as tetas do Estado para obter isenções fiscais. Uma das principais falácias de sua argumentação está na comparação entre Estado e empresa. Omitem uma diferença básica entre essas instituições: o objetivo de uma empresa privada é o lucro, o do Estado não. Quais as implicações desse pensamento, pai e mãe da idéia de choque de gestão?

 

 Como o tema do aumento da arrecadação é interditado, a parte central da política do Estado é o corte de gastos, em todas as áreas. Em artigo publicado no jornal Zero Hora (05/07/2007), a governadora Yeda Crusius (PSDB) auto-elogia a “coragem e determinação” de seu governo, garantindo que “a nossa parte estamos fazendo, com um corte de 31% nas despesas de custeio, sem sacrifício dos serviços públicos essenciais prestados à população”. Sem sacrifício? Vejamos: crianças sem transporte escolar, escolas com falta de professores e funcionários, hospitais ameaçados de fechamento, prefeitos reclamando da falta de repasse de recursos constitucionais, falta de policiais...A morte do vice-prefeito de Bom Jesus, Leonardo Baroni Silveira (PDT), vítima do fogo cruzado entre policiais e assaltantes de banco, mostrou mais uma vez uma das facetas perversas dessa realidade. O efetivo da Brigada Militar em Bom Jesus, cidade com cerca de 11 mil habitantes, é de onze PMs.

 

Não é de hoje o fenômeno da migração de assaltos a banco para pequenas cidades. Os assaltantes sabem que o efetivo da polícia nestas localidades é muito pequeno. Não há nenhuma solução mágica para o problema, mas certamente o aumento de efetivos e da capacidade técnica e operacional da polícia é uma medida necessária. O corte de 31% nas despesas de custeio traz, sim, conseqüências negativas para o trabalho dos policiais, afetando a qualidade do serviço oferecido à população. Basta conversar com qualquer policial para comprová-lo. O aprofundamento da idéia de choque de gestão, de que o Estado deve seguir cortando custos, tem um pesado custo social para a população. O problema é que esse custo não é contabilizado nas planilhas de Excel dos tecnocratas que tentam gerir o Estado como uma empresa.

 

 Ao mesmo tempo, os espaços de participação da população na gestão do Estado vão diminuindo. Mesmo a Consulta Popular, implantada pelo governo Rigotto, que já era um pálido simulacro do Orçamento Participativo, foi totalmente esvaziada. E assim estamos. Os arautos do choque de gestão seguem sua cruzada fundamentalista, inspirada nas teorias do Estado mínimo. Estão, de fato, sendo bem sucedidos. O Estado, como instância promotora do bem comum e da democracia, está desaparecendo. Em seu lugar, vai crescendo um escritório despachante dos interesses das Aracruzes e Gerdaus da vida, interesses que, por definição, não são os mesmos de um Estado republicano.



Escrito por Marco Weissheimer às 13h45
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ESSA É A SOLUÇÃO?

 Dois cidadãos seguiram a máxima defendida pelo subcomandante da Brigada Militar do Rio Grande do Sul, coronel Paulo Roberto Mendes, e reagiram a assaltos na noite de sexta-feira. Ambos acabaram mortos pelos assaltantes. Em Canoas, o comerciante Ivan Tomaz Vianna, 42 anos, foi atacado quando chegava em casa com seu automóvel. Vianna estava armado, reagiu, matou um dos assaltantes com um tiro na cabeça, mas também foi baleado e morreu. Em Novo Hamburgo, Márcio Cristiano Herreira, 23 anos, reagiu ao roubo de sua moto e acabou sendo baleado nas costas. Esse é o caminho para aumentar a segurança da população?



Escrito por Marco Weissheimer às 12h15
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UM DIÁLOGO SURREAL

 Aconteceu esta semana no Rio Grande do Sul. Um porto-alegrense recebe um telefonema de um serviço de telemarketing oferecendo uma assinatura do jornal Zero Hora. Ele diz não estar interessado. Insistente, a telefonista pergunta por que razão não queria fazer a assinatura Ele responde que não gosta do jornal por achá-lo fraco e sem conteúdo. Sem se dar por vencida, a telefonista manifesta espanto com a avaliação de seu interlocutor e pergunta pela sua profissão. “Sou jornalista, mas não exerço a profissão”, responde ele. Preocupada com o futuro profissional do jornalista, ela adverte: “Ah!, mas então o senhor não deveria falar mal da Zero Hora, pois ainda poderá precisar trabalhar lá”. Silêncio e espanto no outro lado da linha. O jornalista ficou sem palavras 

Escrito por Marco Weissheimer às 19h27
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"É INCRÍVEL A REJEIÇÃO DO HOMEM"

 A rádio Guaíba fez uma enquete sobre a indicação do ex-repórter, ex-porta-voz, ex-deputado, ex-governador e ex-empresário Antônio Britto para a presidência do Grêmio. Cerca de 700 pessoas ligaram para a rádio e não deu outra: 85% dos ouvintes rechaçaram a idéia, obrigando o apresentador a comentar:

-  Mas é incrível a rejeição do homem!  O papo esportivo continuou e alguém tentou amenizar:

-  O pessoal deve estar confundindo política com futebol. A resposta veio pronta:

-  Mas na política  ele também foi rejeitado.

 O papo chega em Paulo Odone que disse que só deixaria o cargo se o substituto fosse o ex-governador. E lá vem o apresentador de novo:

 

-  Mas então não se trata de um clube, mas de uma capitania hereditária. 

 

Já no finalzinho, o programa comenta a ida de Odone para a Grêmio Empreendimentos, empresa que comandará a construção do novo estádio. E então, em forma de pergunta, vem a sentença:

 

-  Este cargo não ficaria melhor nas mãos de um empresário? 

 

A julgar pela enquete da Guaíba e pelo que se ouve nas conversas de boteco (e de futebol, admitamos, quem entende são os freqüentadores de boteco), não foi "o pessoal" da enquete que confundiu política com futebol, mas o atual presidente do Grêmio que, a propósito, é um político. (Maneco)



Escrito por Marco Weissheimer às 17h19
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A FILOSOFIA DO CORONEL MENDES

 Um dia depois de o subcomandante da Brigada Militar, coronel Paulo Roberto Mendes, defender que a população deve reagir a assaltos, funcionários de uma agência de empregos localizada na avenida Cairú, zona norte de Porto Alegre, resolveram seguir o conselho. Eles reagiram a uma tentativa de assalto, perpetrada por um homem e uma mulher armados. Correndo o risco de levar um tiro, conseguiram desarmar o homem com uma saraivada de socos e pontapés. A mulher acabou fugindo. A sugestão do coronel, desautorizada pela Secretaria Estadual de Segurança, beira a irresponsabilidade, para dizer o mínimo. Ao defender que os “homens de bem” devem reagir, fez uma ressalva: “desde que estejam preparados”. E quem é mesmo que vai definir se a pessoa está ou não preparada para reagir a um assalto? Ela mesmo, no momento em que o assalto estiver ocorrendo?

 

O coronel parece se esquecer que, por definição constitucional, quem está preparado para reagir a assaltos e outros tipos de crimes são os agentes de segurança pública. Estimular a população a sentir-se preparada para fazer o trabalho da polícia não é exatamente o papel da polícia. É justamente o contrário, aliás. O coronel Mendes fez um movimento muito perigoso e certamente será lembrado quando o acolhimento de sua sugestão provocar algum desastre. Ele mostrou pouca habilidade também ao comentar, no programa Conversas Cruzadas, da TV Com, o caso do pedreiro morto esta semana em Gravataí. Segundo a família, ele foi confundido com um assaltante e acabou morrendo em razão de surra que levou após ser preso. O comentário do coronel: Às vezes, se preocupam com uma eventual pessoa que a polícia tenha matado. Uma eventual pessoa?



Escrito por Marco Weissheimer às 16h21
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OP DE PORTO ALEGRE INSPIRA GOVERNO INGLÊS

 A experiência do Orçamento Participativo, adotada em Porto Alegre a partir do fim dos anos 1980 pelos governos petistas servirá de inspiração para um projeto de democracia direta que será implementado pelo governo inglês, diz matéria da BBC. A idéia é dar à população o direito de influir na maneira como o orçamento de seus governos locais é investido. O projeto-piloto, anunciado pela ministra de Comunidades e Governos Locais, Hazel Blears, incluirá dez regiões em uma primeira etapa. Os moradores dessas áreas poderão decidir como serão gastos os orçamentos de seus conselhos locais (equivalentes a prefeituras ou subprefeituras, dependendo do tamanho da região). Conforme o projeto-piloto, os moradores poderão decidir sobre investimentos de até 23 milhões de libras (cerca de R$ 88,5 milhões), em áreas como segurança e construção de áreas de lazer.

 

O novo primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, prometeu aumentar a participação popular em decisões que afetam a vida do conjunto da população. Uma organização que reúne várias igrejas será responsável por organizar debates comunitários com o objetivo de decidir como serão aplicados os recursos do orçamento. O projeto enfrenta resistência. A Associação dos Governos Locais defende que seria melhor aumentar as verbas aos conselhos e que os conselheiros fizessem as consultas para definir os gastos do orçamento. O governo inglês, porém, diz que quer estimular a democracia direta. “A democracia deveria ser mais do que depositar um voto a cada poucos anos, deveria ser uma atividade diária, não uma teoria abstrata”, declarou a ministra Hazel Blears. Segundo o jornal The Guardian, o projeto é uma “extensão potencialmente dramática da democracia direta”.



Escrito por Marco Weissheimer às 14h48
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ESCÂNDALO E DESVIO

 ZH pede desculpas pela imprecisão no episódio da foto dos deputados petistas e segue o baile. A próxima dança também é marcada por uma diferença de tamanho e tratamento acerca de duas denúncias que são destaque nesta quinta-feira. O caso da Companhia de Geração Térmica de Energia Elétrica (CGTEE), que teria dado aval irregular em empréstimos a quatro usinas gaúchas e uma paranaense, é manchete de capa pelo segundo dia consecutivo, com duas páginas de cobertura. O caso já ganhou um nome – o escândalo das usinas – com destaque em quadros coloridos para petistas supostamente envolvidos, e retrancas afirmando “beneficiado tem trânsito entre petistas”. O presidente da CGTEE, Sereno Chaise, diz que a assinatura de dois de seus diretores (Carlos Marcelo Cecin e Clovis Ilgenfritz) foram falsificadas ou obtidas irregularmente. O nome de Ilgenfritz, que garante ter tido sua assinatura falsificada, é destacado com foto e breve currículo político, incluindo sua participação no governo Olívio Dutra.

 

Já a fraude na Assembléia, envolvendo um “suposto esquema de desvio” no setor de correspondências da Casa, que pode superar a casa dos R$ 2 milhões, é tratado em uma página, com chamada de capa, sem a pirotecnia gráfica do caso anterior e sem nenhuma retranca afirmando que “acusado tem trânsito entre petebistas”. O acusado em questão, Ubirajara Amaral Macalão, ex-diretor do Departamento de Serviços Administrativos da Assembléia, assumiu o cargo por indicação do PTB, durante a gestão do deputado Vieira da Cunha (PDT) na presidência da Assembléia, em 2004, informa ZH em um pequeno quadro ao pé da página. Foi mantido no cargo pelos presidentes posteriores, Iradir Pietroski (PTB), Fernando Zachia (PMDB) e Frederico Antunes (PP), que o afastou em maio, quando as denúncias vieram à tona. Antunes, atual presidente da Assembléia, garante que não protegerá ninguém. Macalão é funcionário antigo da Assembléia. Homem do PTB. O superintendente da Polícia Federal, Ildo Gasparetto, garante que se trata "de um típico caso de corrupção no serviço público que, com certeza, não envolve apenas um funcionário".

Escrito por Marco Weissheimer às 10h15
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ZH LAMENTA A IMPRECISÃO

O jornal Zero Hora publica, nesta quinta-feira (5), um discreto pedido de desculpas, no canto inferior direito da página 2, sobre a foto publicada na edição de 3 de julho, mostrando deputados petistas em destaque, em uma matéria sobre o pedido de suplementação orçamentária feito pela Assembléia. Alguns deputados estaduais se queixaram, diz ZH, de que a cena não tinha relação direta com  teor do título e da reportagem sobre o pedido de mais de R$ 10 milhões pela Assembléia. “A reclamação tem procedência”, admite o jornal, informando que a foto foi tirada pelo fotógrafo Paulo Dias, da assessoria de imprensa da Assembléia numa sessão de 26 de junho, “quando os deputados, inclusive os que aparecem na foto, se autoconcederam, em votação unânime, um reajuste de 21,22% em seus subsídios”, alfineta.

 

A imagem não tem, portanto conexão direta com o pedido de suplementação de verba, capitaneado pelo presidente da Assembléia, Frederico Antunes, acrescenta ZH. “Como a legenda não explicitou em que data e situação aquela cena foi registrada, a queixa se justifica por poder induzir leitores a imaginar que aqueles deputados de diferentes partidos estavam reunidos para pedir a suplementação. ZH lamenta a imprecisão e pede desculpas a deputados e leitores”.

 

Como costuma acontecer, o pedido de desculpas foi publicado com um destaque muito menor do que o dedicado à matéria em questão.



Escrito por Marco Weissheimer às 09h42
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BRITTO INDICADO PARA PRESIDIR O GRÊMIO

 Os rumores se confirmaram. O ex-governador Antônio Britto foi indicado, na noite desta quarta-feira, para disputar a presidência do Grêmio pela situação. Ele é o candidato escolhido por dirigentes e conselheiros da atual diretoria para substituir Paulo Odone, que renunciará ao cargo para assumir a Grêmio Empreendimentos, empresa que será responsável pela construção do novo estádio do clube. Britto deverá ser aclamado na presidência uma vez que a oposição não pretende lançar candidato.

 

Guga Türck, gremista de quatro costados, comenta essa bomba no Alma da Geral.



Escrito por Marco Weissheimer às 19h34
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PROFESSORES FAZEM DIA ESTADUAL DE PARALISAÇÃO

 O Centro de Professores do Estado do Rio Grande do Sul (CPERS/Sindicato) realiza, nesta quinta-feira, um dia estadual de paralisação para discutir a pauta de reivindicações dos trabalhadores em educação. Entre as propostas a serem debatidas nas escolas destacam-se: salário base de R$ 468,28; piso salarial profissional nacional com os valores propostos pela Confederação Nacional de Trabalhadores da Educação (CNTE) (R$ 1.050,00 para o nível médio e R$ 1.575,00 para o nível superior); publicação e atualização das promoções de funcionários e professores até 2006; nomeação imediata de professores do concurso de 2005; abertura de concurso para professores e funcionários; suspensão do processo de municipalização da educação; garantia do funcionamento de bibliotecas e laboratórios; repasse integral e em dia das verbas para a manutenção das escolas.

 

Também nesta quinta, os educadores se somarão a outras categorias de trabalhadores em manifestações organizadas pela CUT em defesa da manutenção do veto do presidente Lula à emenda 3, em defesa do direito de greve dos servidores e contra o projeto de lei 01/2007, que congela os vencimentos dos servidores públicos.



Escrito por Marco Weissheimer às 17h54
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A CRISE NA SAÚDE DE PORTO ALEGRE

 O vereador Marcelo Danéris (PT) pediu, hoje, o afastamento do secretário municipal da Saúde, Pedro Gus, durante pronunciamento na Câmara Municipal de Porto Alegre. O pedido foi feito diante do próprio secretário. Danéris disse a Pedro Gus que ele está sendo desautorizado pelo próprio prefeito José Fogaça (PPS), que não reage às especulações sobre a saída do secretário do cargo. “A saúde vai mal em Porto Alegre”, disse Danéris, destacando a crise pela qual passam o Hospital de Pronto Socorro(HPS), o Pronto Atendimento Cruzeiro do Sul e os postos de saúde nos bairros da capital. “O prefeito vem lhe desautorizando, secretário, quando reconhece que os problemas na área da saúde do município são de gestão”, acrescentou.

  

Segundo relatório da execução orçamentária da Prefeitura, a previsão de investimentos da secretaria da Saúde para 2007 é de R$ 16,5 milhões, mas, até o dia 21 de junho, tinham sido executados apenas R$ 993 mil. Ao mesmo tempo, os recursos de transferência do SUS registraram um aumento de 10%, cerca de R$ 12 milhões, de janeiro a maio de 2007 em relação ao mesmo período do ano passado. “A situação é grave. A saúde agoniza em Porto Alegre e o poder público não reage”, criticou Danéris.



Escrito por Marco Weissheimer às 17h38
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YEDA 1 x 0 NAS MANCHETES, MAS É SÓ O PRIMEIRO TEMPO

 Desesperada com a péssima avaliação dos seis primeiros meses de seu governo, Yeda apelou. Posando de austera, a governadora não pensou duas vezes e lançou mão de um velho ditado - "dinheiro não nasce em árvore" - para negar uma suplementação de verbas ao Poder Legislativo. Oportunista, a primeira mandatária aproveitou-se do fato de que, dias atrás, os deputados aumentaram os próprios salários - o que, naturalmente, repercutiu negativamente junto à população - para reforçar  a falsa imagem de que o seu governo combate privilégios. 1 a 0 para Yeda no jogo das manchetes. Mas antes de comemorar a vitória midiática, recomenda-se à governadora que volte ao seu dicionário de sabedoria popular. Com certeza, vai se deparar com máximas do tipo "quem com ferro fere, com ferro será ferido", "a vingança é um prato que se come frio", "nem tudo que reluz é ouro", "nada como um dia após o outro", "quem ri por último, ri melhor" e outros tantos na mesma linha.

 

Ou alguém acha que o deputado Frederico Antunes (PP), que por ser presidente da Assembléia acabou chamando para si o estigma do "privilégio", vai deixar barato esta surfada de Yeda? Ele só permitiu que o pedido de suplementação fosse enviado ao Piratini porque acreditou que a governadora cumpriria o acordo feito por sua equipe de transição para o repasse das verbas ao Legislativo. Sim, o acordo existiu. E quem representou o Parlamento na época foi ninguém menos do que o atual Chefe da Casa Civil de Yeda, Luiz Fernando Zachia. O "Turco", como Zachia é (ou era) carinhosamente conhecido entre os colegas deputados, agora, está entre a cruz a e espada, tendendo para a segunda opção.

 

Mas, nem em sonho Frederico poderia imaginar que sua aliada Yeda iria aproveitar-se do mau momento dos parlamentares para, apelando a uma velha máxima popularíssima, impingir-lhes a pecha de esbanjadores. Aconselhado por seus experimentados assessores e certamente por seu próprio feeling político, Frederico não abriu guerra pública com a governadora. Sabe que o senso comum lhe colocaria na cruz. Mas que ninguém imagine que o episódio está encerrado. Nos corredores do Palácio Farroupilha nesta quarta-feira, o tom da boataria era um só: a volta virá. Até porque, uma outra máxima, esta mais conhecida entre os profissionais de comunicação, ensina que "nada mais velho do que o jornal de ontem". (Maneco)



Escrito por Marco Weissheimer às 17h22
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DESTAQUES NA BLOGOSFERA

 CELEUMA: Duas mil mulheres assistiam a governadora Yeda Crusius (PSDB) discursar no auditório Dante Barone, da Assembléia Legislativa, durante a  3ª Conferência Estadual de Políticas Públicas para as Mulheres, no último sábado (30/06), quando a recém empossada superintendente do Grupo Hospitalar Conceição,  a ex-deputada Jussara Cony (PCdoB) chegou. A governadora, talvez para demonstrar sua versatilidade, incluiu uma saudação especial a Cony, dizendo que ali estava presente uma legítima representante do esforço das pessoas portadoras de deficiência. A afirmação silenciou o auditório. Jussara estava de cadeira de rodas devido a uma cirurgia recente, mas nunca foi PPD.

 

DIÁRIO GAUCHE: "A CIA tem o direito legítimo de se infiltrar na imprensa estrangeira. Ela tem a missão de influir, através dos meios de comunicação, no desenlace dos fatos políticos em outros países" (William Colby, ex-diretor-geral da agência central de inteligência (CIA) dos Estados Unidos da América).



Escrito por Marco Weissheimer às 08h36
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RAUL PONT REFORÇA PROTESTO CONTRA ZH

 O líder da bancada do PT na Assembléia Legislativa do RS, deputado Raul Pont, subiu à tribuna, nesta terça, para protestar contra a edição de hoje do jornal Zero Hora, classificando-a como anti-democrática e provocativa. Segurando cópia de nota da bancada distribuída à imprensa, inclusive a Zero Hora, Raul Pont criticou a edição desta terça que, na matéria sobre o pedido de suplementação orçamentária encaminhado pelo Legislativo ao governo gaúcho, estampa foto com três petistas em primeiro plano, como se eles fossem responsáveis pelo pedido. “Não há nenhuma explicação no texto sobre quem tomou a decisão. O jornal não tem interesse em explicitar o conteúdo nas matérias, mas de fazer sensacionalismo e distorcer a informação”, criticou Pont. “Nós nos insurgimos contra esta forma tendenciosa de apresentar os fatos”, acrescentou o líder da bancada do PT, na sessão plenária de hoje.



Escrito por Marco Weissheimer às 17h12
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A MÁ FÉ DE ZERO HORA

 A bancada do PT na Assembléia Legislativa do RS divulgou nota oficial hoje, intitulada “A má fé de ZH”, repudiando o que qualifica de provocação do jornal contra os deputados petistas. A nota, publicada no site da bancada, afirma:

 

“Quem conhece a política gaúcha e os veículos de imprensa de Porto Alegre sabe que o jornal Zero Hora não nutre simpatias pelo PT. Essa já é uma história longa e não deveria trazer surpresas. Petistas e não petistas já estão acostumados com isso e muitos já aprenderam a ler as notícias considerando as ênfases, as nuanças, os compromissos e as omissões editoriais do jornal. Infelizmente, a conduta antidemocrática desse jornal é um dado da realidade política brasileira, marcada pela presença de uma imprensa que incentiva o mito da isenção para transitar as aspirações políticas e ideológicas particularistas de seus donos e financiadores.

 

O compromisso com a democracia e com a pluralidade nos impõe, às vezes, o convívio com condutas antidemocráticas e manipuladoras. Mas isso, por óbvio, tem um limite. Quando o posicionamento político de um jornal orienta uma conduta editorial de má fé, então, chegamos a um momento em que não nos é permitido calar, sob pena de sermos coniventes com a desconstituição de princípios básicos do convívio democrático.

 

Por isso, queremos manifestar nosso repúdio à edição de hoje (3/7) do jornal Zero Hora. Na página 6, o jornal publica uma matéria sobre uma suplementação orçamentária reivindicada pelo parlamento gaúcho para cumprir com o reajuste devido aos funcionários da Casa. Para ilustrar a matéria, o editor de política do jornal fez uma escolha, no mínimo, estranha. Os protagonistas dos fatos não aparecem na fotografia, aparecendo, em primeiro plano, três deputados do PT, partido que, qualquer jornalista que cobre política no Estado sabe, nada tem a ver com o fato noticiado. A decisão do editor é óbvia e reflete a evidente intenção de envolver a bancada petista com a reivindicação da suplementação orçamentária.

 

O agravante é que a foto referida é repetição de uma fotografia já usada pelo mesmo jornal no dia 27 de junho, há menos de uma semana, para ilustrar um comentário da editora executiva de política, Rosane Oliveira, sobre a decisão dos deputados em reajustar os salários. É preciso dizer que a fotografia também não tem nada a ver com aquele evento. A prática de repetir fotografias em jornal, sabe-se, revela ou um preocupante amadorismo ou uma intenção deliberada de mostrar pessoas ou lugares ou, no caso específico, certas pessoas em certos lugares. A decisão editorial de ZH, portanto, manifesta não apenas uma opção política do jornal, mas mostra uma conduta abertamente provocativa, inaceitável para o convívio plural e democrático que defendemos”.

Escrito por Marco Weissheimer às 16h05
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ENTREVISTA DE JOÃO PEDRO STÉDILE

 Vale a pena ler a entrevista de João Pedro Stédile à revista Época, que o Diário Gauche reproduz na íntegra. Entre outras coisas, Stédile afirma: “O projeto pelo qual o MST lutou 20 anos se esgotou porque as elites brasileiras deixaram de defender um projeto de industrialização nacional. Hoje, a não ser o vice-presidente José Alencar, não há forças nacionalistas em nossa burguesia industrial. Para viabilizar uma nova reforma agrária, será preciso antes derrotar o neoliberalismo. O primeiro fundamento desse novo tipo de reforma agrária é a democratização da propriedade da terra, que não é uma bandeira socialista, mas republicana. O segundo é a reorganização da produção agrícola. Hoje, as transnacionais vêm aqui e controlam a produção, o comércio, o preço. Isso está errado. A produção agrícola precisa ser organizada em primeiro lugar para atender o mercado interno e o povo brasileiro”. Clique AQUI para ler.

Escrito por Marco Weissheimer às 11h56
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O "ROAD SHOW" DO BANRISUL

 O secretário da Fazenda do RS, Aod Cunha, iniciou ontem uma viagem a dez cidades da Ásia, Europa e Estados Unidos, para promover “road shows” visando a venda de ações do Banrisul. O roteiro inclui Cingapura, Londres, Edimburgo, Amsterdam, Nova York, Denver, Chicago, Los Angeles, Boston e San Francisco, todos importantes centros financeiros. O governo Yeda Crusius (PSDB) pretende levantar cerca de R$ 2 bilhões com a venda de ações do Banrisul. No mesmo dia em que o secretário Aod iniciou sua viagem, os deputados Raul Pont(PT), Stela Farias (PT) e Raul Carrion (PCdoB), estiveram na Câmara Municipal de Porto Alegre para convidar os vereadores da capital a integrarem o movimento contra a privatização da instituição. Raul Pont disse que a preocupação da Frente Parlamentar com o destino do banco aumentou depois que o Executivo enviou para a Assembléia dois projetos de lei destinando os recursos oriundos da venda de ações do Banrisul para o pagamento de aposentadorias.

 

“Estes projetos deixam clara a verdadeira pretensão do PSDB de repassar o Banrisul para a iniciativa privada, independente da vontade da sociedade gaúcha e dos prejuízos que esta medida, se concretizada, significará para o desenvolvimento do Estado e para os pequenos correntistas”, disse o deputado petista. Desde o dia 28 de junho, a Frente Parlamentar está coletando assinaturas entre os deputados estaduais para garantir a tramitação de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que condiciona a venda de ações do Banrisul à aprovação por maioria absoluta na Assembléia Legislativa. Os projetos do Executivo sobre o Banrisul estão tramitando em regime de urgência na Assembléia, mas devem ser votados apenas no final de agosto, em razão do recesso legislativo de julho.



Escrito por Marco Weissheimer às 11h31
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ESTÁ DIFÍCIL DEFENDER YEDA

 O deputado federal Júlio Redecker (PSDB-RS) tentou de tudo, ontem à noite, para defender os seis meses do novo jeito de governar de Yeda Crusius, no programa Conversas Cruzadas, da TV Com. Aos gritos, com o dedo em riste e os olhos esbugalhados defendeu que esse é o melhor governo da história do Rio Grande do Sul e que a população gaúcha ainda irá agradecer pelo remédio amargo que está provando agora. Questionado pelos deputados Elvino Bohn Gass e Ivar Pavan, do PT, e ladeado pelo deputado Jerônimo Goergen (PP), Redecker minimizou os cortes de gastos e investimentos nas áreas da saúde e educação, dizendo que Yeda está tendo coragem de fazer o que precisa ser feito. A maioria do público que participou da pesquisa interativa do programa não concordou com o deputado tucano. A avaliação do novo jeito de governar foi a seguinte: Bom (32%), Regular (4%), Ruim (64%), num total de 1768 ligações. Redecker teve ao menos o mérito de enfrentar o programa, diante da recusa dos secretários de Yeda, que fugiram da raia.



Escrito por Marco Weissheimer às 09h41
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BLOG BURACOS NA BALTAZAR

 Rodney Torres criou o blog Buracos na Baltazar,  “espaço para tod@s aqueles que querem construir um movimento pela retomada imediata das obras da Baltazar (importante avenida da zona norte de Porto Alegre)". E convoca: "é necessário que a comunidade se organize usando de todos os meios para pressionarmos os governos de Fogaça e Yeda a ter responsabilidade e principalmente cumprir o que prometeram em suas campanhas”. A comunidade da Região Eixo-Baltazar está organizada e mobilizada para conseguir a imediata retomada das obras da avenida, paralisadas pelo governo estadual, com sérios prejuízos para a população e para o comércio da região. Essa mobilização ganhou o reforço de vereadores e lideranças comunitárias do município de Alvorada que, diariamente, circulam pela Baltazar e também sofrem com os buracos na avenida.

Escrito por Marco Weissheimer às 19h17
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A MEMÓRIA PERDIDA E A HISTÓRIA APAGADA DO RS

 No debate sobre a crise financeira do Estado do Rio Grande do Sul, a profusão de números negativos anda de mãos dadas com a falta de memória e a omissão de responsabilidade. O mesmo campo político que governou o Estado com Antônio Britto, Germano Rigotto e, agora, Yeda Crusius, é responsável por três medidas que contribuíram decisivamente para o agravamento da crise: a Lei Kandir, a renegociação da dívida e a política de generosas isenções fiscais para algumas empresas. Vale a pena recordar quem defendeu e aprovou tais políticas. A Lei Kandir foi aprovada em13 de setembro de 1996, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, sendo apoiada pelo então governador Antonio Britto (PMDB), pelo futuro governador Germano Rigotto (PMDB) - na época, líder do governo FHC no Congresso - e pela atual governadora Yeda Crusius (PSDB). Ela promoveu a dispensa do ICMS em operações que destinassem mercadorias para o exterior, bem como os serviços prestados a tomadores localizados no exterior.

 Com a Lei Kandir, estados e municípios perderam parcela da arrecadação de seus impostos. Como compensação dessas perdas, decorrentes da política econômica implementada pelo governo federal, a União ficou com a obrigação de ressarcir os estados e municípios mediante repasse de recursos financeiros. Os repasses nunca compensaram as perdas. Como se não tivesse apoiado a aprovação da lei, Rigotto passou todo o seu governo reclamando dela e colocando a culpa no governo Lula. Durante a campanha eleitoral de 2006, Yeda Crusius também criticou os “efeitos perversos” da Lei Kandir para o Estado. Em momento algum admitiram que participaram da criação do problema. O mesmo ocorreu com o acordo de renegociação da dívida, assinado em 1998 por Britto e FHC. Saudado na época em anúncios de página inteira nos jornais gaúchos, acabou representando uma despesa de cerca de R$ 1,8 bilhão por ano, tornando-se mais um fator de estrangulamento para o Estado.

  Hoje, ninguém mais assume a paternidade da criança. Na campanha de 2006, Yeda Crusius chegou a criticar os termos do acordo que ela apoiou em 1998. No quesito isenção fiscal, a história não é diferente. O governo Britto iniciou a farra de isenções, tendo a GM como principal atração na vitrine, garantindo que seria a salvação para o Estado. Segundo estudo do economista Luis Carlos Bordin, premiado pela Escola Superior de Administração Financeira, entre 1996 e 2002 as desonerações fiscais aumentaram de 29,5% para 41% no Rio Grande do Sul. O processo de crescente desoneração fiscal teve um crescimento de cerca de 40% durante o governo de Antônio Britto (1995/1998). Rigotto e Yeda apoiaram essa política. Agora, no governo, ela fala em revisá-la, sem assumir, porém, sua responsabilidade pelo que foi feito. O governo Olívio Dutra tentou revisar essa política de concessões, mas ficou amarrado por contratos judiciais e pela crise política gerada no caso Ford.

 

Rigotto e Yeda elegeram-se dizendo que as causas da crise são históricas, utilizando o termo para diluir responsabilidades e deletar a memória. Em última instância todos os processos políticos e econômicos são históricos, descartada a possibilidade da origem divina. No caso do RS, a história vem sendo contada por um curioso operador que apaga a memória e gera incessantemente “novidades” na política. Novidades que, na verdade, tem um passado e responsabilidades das quais fogem como o diabo da cruz.

Escrito por Marco Weissheimer às 18h20
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C&A PROIBIDA DE REVISTAR FUNCIONÁRIOS

 A rede de lojas C&A foi proibida de revistar bolsas e pertences de seus funcionários em todo o país. A determinação é da 9ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, em São Paulo, a partir de ação movida pelo Ministério Público do Trabalho. A C&A também foi condenada a pagar R$ 500 mil de indenização por danos morais coletivos ao Fundo de Amparo ao Trabalhador, cabendo ainda recurso à empresa. O MP argumentou que as bolsas poderiam conter medicamentos e outros objetos íntimos que os funcionários não desejam que sejam revelados aos colegas. Além disso, lembrou que a Constituição Federal, em seu artigo 5º, dispõe que são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurando o direito à indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação. Em sua defesa, a C&A, alegou que a revista serve para evitar pequenos furtos. Para os juízes da 9ª Turma, a mania obsessiva pela defesa do patrimônio levada ao extremo da desconfiança generalizada, como se os empregados fossem pessoas estranhas, é uma grande ofensa à dignidade do trabalhador.

Escrito por Marco Weissheimer às 17h11
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SOB O DOMÍNIO DOS BANCOS

 Bernardo Kucinski escreve na Carta Maior: “Dias atrás, ao comprar um agasalho perto de casa, surpreendi-me com a revelação de que o banco ficaria com 5% do pagamento com cartão. Disse à dona da pequena malharia que, nesse caso, pagaria com cartão de débito. Tanto faz, disse ela, se é de crédito ou débito. Os bancos ficam com 5%. Só as grandes empresas ou as cadeias de lojas conseguem negociar um pagamento menor, de uns 2%. Fiquei abismado. Então os bancos abocanham uma porcentagem de todas as transações que antes se faziam com dinheiro e hoje se fazem com o plástico? Estava aí um dos nexos importantes entre a revolução da microeletrônica e a financeirização da sociedade. Imaginem ficar com 5% de todas as transações, ou que sejam 3%, sem fazer nada, sem nenhum risco, sem ter que emprestar dinheiro". Clique AQUI para ler.

Escrito por Marco Weissheimer às 16h57
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AS LIÇÕES DE JORNALISMO DA RBS

 Não há nenhum descuido. Tampouco coincidência. Inocência muito menos. Marcelo Duarte flagrou um momento apoteótico do jornalismo praticado pela RBS. Na edição deste domingo (1), o jornal Zero Hora publicou matéria sobre a ameaça de cassação que paira sobre o governador da Paraíba, o tucano Cássio Cunha Lima (PSDB) acusado de distribuir cheques na campanha eleitoral de 2006. A foto da matéria, no entanto, traz o presidente Lula em primeiro plano e o governador tucano bem escondido, em um canto da imagem. O que justifica tal escolha para ilustrar a matéria? La Vieja Bruja dá uma ajuda aos editores de ZH: “é cinismo, tendenciosidade, má-fé e mau-caratismo se ilustrar uma matéria sobre supostos atos de corrupção de um governador estadual qualquer com uma foto que mostre o referido acusado ao lado do Presidente da República quando não há nenhuma afinidade ideológica ou relação entre ambos”.

 

Cristóvão Feil comenta no Diário Gauche: “O governador acusado está subsumido na fotografia. Pela imagem, é um personagem lateral, de quinto ou sexto plano. O que significa subsumir? Subsumir para Kant, significa que o sujeito (no caso, o governador) está subordinado à idéia geral, ao etos sem nenhum caráter do presidente Lula. Vejam que o governador Cássio Lima (ao fundo, à direita) está comprimido entre tantos outros indivíduos, mas Lula os capitaneia, Lula é o estandarte, Lula é o vanguardeiro da imoralidade pública, Lula é a pétala superior do opróbrio público, Lula é o mestre entre peripatéticos alunos. Lula sorri, e os conforta. Por isso se justifica, para os editores de Zeagá, o seu frontal protagonismo na imagem escolhida para ilustrar a matéria. É a prática mais viva e abjeta do velho e conhecido jornalismo marrom exercitada pela RBS, através de Zeagá”.

    

Na mesma edição, ZH  dedica duas páginas para louvar o governo do também tucano Aécio Neves, em Minas Gerais, e uma outra para nos trazer os ensinamentos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sobre a “sensação de impotência diante de tanto descalabro” (no país). Antes do louvor ao governo de Aécio, com uma sutileza de um urso polar adentrando em um velório, duas páginas sobre possíveis soluções para a crise do RS. Precisa dizer algo mais?

Escrito por Marco Weissheimer às 12h21
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